Quem somos?

Quando escolho uma blusa, arrumo o cabelo, me preparo pra festa, ouço uma música: como (e com quem) cheguei a tudo isso? Nos detalhes de nossa estética há histórias, relações, aprendizagens e conhecimentos sem os quais não seríamos quem nós somos — e talvez não pudéssemos traquinar nosso trânsito no mundo complexo em que vivemos. Como pesquisadores, no Estetipop queremos investigar tudo isso: o que, como, com quem aprendemos as artes que produzem nossa vida? Como agenciamos nossa subjetividade para fazer nossa vida&arte circular entre as pessoas? Como o pop-popular é gerado e gerido no cotidiano, subvertendo ideações verticalizadas e hegemônicas, de “cima pra baixo”, ao mesmo tempo em que deslocando o popular de um certo tradicionalismo e libertando o pop de uma ótica para além do mercado?

O Estetipop – laboratório de pesquisa antropológica em estéticas, aprendizagens e cultura pop/popular – foi criado em 2018. Se erigindo na interface entre antropologia, arte e educação, desenvolve pesquisas que tomam a Educação como espaço amplo de vivências para além da, mas também na, escola. Com nossas etnografias, buscamos investigar a inventividade junto à dimensão estética, sensível e sensorial da vida, em escolas, mas também nas ruas, nos bairros, nos clubes, nos parques, em favelas. Fazemos isso desde os emaranhados formados por pessoas e coisas, humanas e mais que humanas, situando nossa vida de pesquisadora e pesquisador em relação com aquelas e aqueles com quem aprendemos. Nos voltamos para a corporalidade, os sentidos, as materialidades, as sonoridades, as visualidades, com vias a contribuir, de um lado, para a Antropologia da Educação, as aprendizagens e os diferentes modos de conhecer, e de outro, para o campo de estudos das Estéticas Corporais e das Formas Expressivas. Dentre as palavras que temos seguido, podemos dizer: funk, cabelos, violência, taijiquan, samba, juventude, futebol, teatro, brinquedos e não menos importante, raça e gênero.

Nos anos de 2021-2024 o grupo estará engajado no projeto Tornar-se artista: arte, antropologia e educação, apoiado pelos editais Jovem Cientista do Nosso Estado e Auxílio ao Professor Recém Contratado, ambos da FAPERJ, e pelo Programa de Incentivo à Produtividade em Pesquisa, da PUC-Rio. Nosso objetivo amplo é o de investigar processos de subjetivação artísticos-políticos junto à juventude popular carioca, suas formação, aprendizagens e estratégias.